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Logística integrada define onde a indústria investe
Logística integrada define onde a indústria investe

Autor: por Mauro Camargo/Michely Figueiredo

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Logística integrada define onde a indústria investe

Walner Júnior defende corredores logísticos completos, integração entre portos, ferrovias e retroáreas e previsibilidade para atrair investimentos industriais.

LOGÍSTICA INTEGRADA

Sem porto eficiente, indústria não chega

Executivo da Suzano afirma que decisões industriais dependem de corredores logísticos completos, previsíveis e capazes de conectar fábricas aos mercados internacionais

A infraestrutura portuária não é uma consequência do investimento industrial. Em setores voltados à exportação, ela é uma condição para que uma fábrica seja construída. Sem portos, ferrovias, acessos e retroáreas funcionando de maneira integrada, o capital poderá procurar outro lugar.

A avaliação foi feita por Walner Alves Cunha Júnior, vice-presidente executivo de Assuntos Legais, Tributários e Institucionais da Suzano, durante o II Congresso Nacional Portuário, realizado nesta sexta-feira (21), em Santos.

Walner apresentou ao congresso a perspectiva da indústria que precisa decidir onde investir bilhões de reais em ativos produtivos. Segundo ele, essa escolha não considera apenas a eficiência de um terminal. Examina toda a cadeia entre a fábrica e o navio.

O executivo chamou essa estrutura de “corredor investível”: o conjunto de ativos e serviços logísticos que precisa oferecer capacidade, eficiência e previsibilidade para que a produção brasileira alcance o mercado internacional a custos competitivos.

A Suzano produz aproximadamente 14 milhões de toneladas de celulose e 3 milhões de toneladas de papel por ano. Mais de 80% desse volume é exportado por diferentes portos brasileiros. Por isso, quando a companhia planeja uma fábrica, o terminal portuário já integra o projeto.

“O porto não é uma consequência da fábrica. Ele é uma condição”, afirmou.

Para Walner, o Brasil já possui portos e terminais eficientes. O problema está na dificuldade de fazer todos os componentes da cadeia funcionarem de maneira coordenada. A operação portuária depende de retroáreas, acessos ferroviários, disponibilidade de vagões, circulação interna e interfaces adequadas entre empresas, autoridades e concessionárias.

A fragmentação da governança transfere custos para o dono da carga. Walner citou o Porto do Itaqui como exemplo de uma operação na qual ferrovia, autoridade portuária, terminal e usuário estão submetidos a estruturas distintas. Quando os agentes não se coordenam, a indústria precisa atuar como amortecedora do conflito.

No caso da celulose, qualquer tonelada produzida e não embarcada gera custos adicionais de armazenagem e manejo. A fábrica não pode simplesmente interromper continuamente sua produção à espera de uma solução logística.

Como contraponto, o executivo mencionou a Ferrovia Interna do Porto de Santos, a Fips. O modelo reuniu regulação, participação do Tribunal de Contas da União e alinhamento dos agentes responsáveis pelo sistema ferroviário interno. Para Walner, a experiência demonstra ser possível estruturar soluções capazes de distribuir responsabilidades e benefícios ao longo da cadeia.

O executivo considera ultrapassado limitar a discussão portuária à oposição entre estruturas públicas e privadas, terminais de uso privado, arrendamentos, concessões ou autorizações. O debate deveria se concentrar nos arranjos institucionais mais adequados para cada corredor logístico.

Isso significa combinar diferentes modelos. Determinados ativos podem permanecer sob investimento privado; estruturas comuns podem ser compartilhadas; e serviços essencialmente públicos podem funcionar por concessões. O importante é que as interfaces sejam simples, estáveis e eficientes.

Walner citou o complexo portuário de Londres como referência de integração entre terminal e infraestrutura circundante. O bom desempenho não decorre apenas do cais, mas da capacidade de todo o sistema operar de maneira coordenada.

Nesse ponto, o Plano Nacional de Logística poderá contribuir para estabelecer uma direção, desde que os projetos e incentivos estejam efetivamente alinhados. Porto, ferrovia, retroárea e produtor não podem tomar decisões isoladas quando todos dependem do mesmo fluxo de exportação.

Questionado sobre a participação do setor privado em discussões judiciais e regulatórias, Walner defendeu formas institucionais de cooperação com o Judiciário, o Legislativo, o Executivo e as agências. O conhecimento técnico das empresas pode contribuir para decisões mais bem fundamentadas e maior velocidade na implantação dos investimentos.

A mensagem final é que a infraestrutura precisa preceder ou acompanhar a decisão industrial. Esperar pela instalação de uma fábrica para depois resolver seus acessos logísticos inverte a ordem e aumenta o risco. Um corredor eficiente não apenas movimenta a produção existente: ele ajuda a determinar onde surgirão os próximos investimentos.

Walner Junior palestrou no II Congresso Nacional Portuário, entre os dias 20 e 21 de agosto, no Bourbon Convention Hotel Santos. O evento foi realizado pela Academia Brasileira do Formação e Pesquisa (ABFP).

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