COOPERAÇÃO COM O CNJ NÃO É APENAS ADMINISTRATIVA, É UMA PAUTA ESTRATÉGICA, DIZ CONSELHEIRO DO CRO-SP
Resumo
PARCERIA ESTRATÉGICA
Cooperação com o CNJ não é apenas administrativa, é uma pauta estratégica, diz conselheiro do CRO-SP
Para Thiago Lobo, a parceria fortalece as instituições e responde a uma exigência da sociedade por um Estado mais eficiente, transparente e integrado, sem abrir mão da autonomia dos conselhos.
Mauro Camargo
A cooperação técnica entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os tribunais e os conselhos profissionais não deve ser vista como uma mera questão burocrática, mas sim como uma “pauta estratégica” para o fortalecimento das instituições públicas e para a modernização da gestão. Em um momento em que a sociedade exige mais eficiência, transparência e integração dos órgãos de Estado, essa parceria representa um passo essencial para racionalizar processos e mostrar que o Estado brasileiro pode ser mais cooperativo. A análise foi feita pelo Dr. Thiago Lobo, conselheiro do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CRO-SP), durante sua participação no painel sobre cooperação técnica, nesta sexta-feira, 10, no Congresso Nacional de Governança dos Conselhos Profissionais, em Brasília.
Representando o maior conselho de odontologia do país, Thiago Lobo destacou que a pauta da eficiência e da governança é uma discussão diária dentro do CRO-SP, especialmente diante da alta demanda gerada pela fiscalização da ética profissional nas redes sociais. Para ele, a cooperação com o Judiciário é uma resposta direta a esse desafio. “O CNJ tem desempenhado um papel fundamental de promover essa aproximação institucional, estimulando acordos que visam reduzir a litigiosidade e otimizar o trâmite de execuções fiscais”, afirmou, lembrando que os conselhos também têm o papel de ajudar a desafogar o sistema judicial.
Lobo ressaltou que, para os conselhos, que têm a função de fiscalizar o exercício ético e técnico das profissões e proteger a sociedade, ter uma relação estruturada e transparente com o Judiciário é fundamental para agir de forma mais célere e eficiente. Ele detalhou a dificuldade operacional dentro do próprio conselho, onde, para cada sessão de julgamento ético, é necessária a presença de quatro conselheiros, todos profissionais liberais que dedicam seu tempo de forma voluntária. “Mesmo que a gente faça um mutirão com os advogados e com a nossa equipe, precisa ter quatro dentistas conselheiros eleitos para poder dar andamento à pauta de julgamento. Não dá conta, é muito difícil”, confessou.
Diante desse gargalo, o grande desafio, segundo ele, é investir na mediação e em soluções que evitem que os conflitos cheguem à fase de julgamento. É nesse ponto que a cooperação técnica pode avançar em eixos concretos. O primeiro, segundo Lobo, é a integração de dados, permitindo o compartilhamento seguro de informações para evitar redundâncias. O segundo é a desjudicialização e mediação, fortalecendo mecanismos de solução administrativa e preventiva. O terceiro eixo é a padronização de procedimentos entre os conselhos e os tribunais, para garantir segurança jurídica e isonomia. Por fim, ele defendeu a capacitação conjunta e a criação de indicadores de monitoramento e transparência para mostrar à sociedade os resultados práticos da parceria.
“Na prática, a sociedade espera isso. Ela não vê o dia a dia, ela espera: ‘Tá bom, mas vocês fizeram toda essa cooperação. O que não ficou só de conversa? O que efetivamente foi feito? Onde foi economizado tempo e, especialmente, dinheiro?’”, provocou o conselheiro.
Thiago Lobo fez questão de ressaltar, no entanto, que o avanço dessa parceria deve respeitar o equilíbrio institucional. “A cooperação não quer dizer subordinação. Cada conselho tem que ter a sua autonomia, e o CNJ e os órgãos de justiça têm deixado isso muito claro”, afirmou, destacando que os conselhos são autarquias especiais que servem como elo entre o Estado e a sociedade civil organizada. A proposta, segundo ele, é a de uma “governança compartilhada”, em que cada parte mantém sua identidade, mas trabalha de forma integrada em prol do interesse público.
Ao final, o conselheiro colocou o CRO-SP à disposição para contribuir com a agenda, reforçando que o fortalecimento dessa rede entre o CNJ, os tribunais e os conselhos representam o fortalecimento da própria democracia administrativa. “É a forma concreta de mostrar que o Estado brasileiro pode ser eficiente, transparente e cooperativo, sem abrir mão da autonomia e da técnica de cada instituição”, concluiu.
PAINEL 4 - COOPERAÇÃO TÉCNICA ENTRE O CNJ, CONSELHOS DE PROFISSÕES REGULAMENTADAS E OS TRIBUNAIS
Presidente de mesa: Dra. Gerlane Alves, Jornalista
Expositores: Dra. Silvia Tavares de Oliveira, Presidente do CFFA; Dr. Thiago Lobo - Conselheiro do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo; Dr. Weverton Borges do Nascimento de Sousa - MD Gerente Executivo do Conselho Federal de Química.
Outros artigos desta edição
CREFITO-3 AUMENTA ARRECADAÇÃO EM 56% E ZERA NOVAS EXECU...
por Mauro Camargo (jornalista...
COBRANÇA HUMANIZADA Crefito-3 aumenta arrecadação em 56% e zera novas execuções com ...
Ler artigoPAINEL DEBATE CAMINHOS PARA COBRANÇA JUSTA E APONTA A ...
por Mauro Camargo (jornalista...
CONCILIAÇÃO TRIBUTÁRIAPainel debate caminhos para cobrança justa e aponta a desjudicialização ...
Ler artigoSISTEMA DE EXECUÇÃO FISCAL ESTÁ 'FALIDO', DEFENDE ...
por Mauro Camargo (jornalista...
DESJUDICIALIZAÇÃOSistema de execução fiscal está 'falido', defende advogado em congresso de ...
Ler artigoCONSELHOS DESEJAM CONCILIAR, MAS RECEIO DO TCU PARALISA ...
por Mauro Camargo (jornalista...
DILEMA DOS CONSELHOSConselhos desejam conciliar, mas receio do TCU paralisa gestores, afirma ...
Ler artigoSobre esta Edição
CONGRESSO NACIONAL DE GOVERNANÇA DOS CONSELHOS DE CLASSE
As principais falas, ideias e reflexões dos participantes reunidas em textos que eternizam o melhor dos debates do evento...